Casal troca casamento e casa por negócio vegano e fatura R$ 55 mil por mês.

 

   

São Paulo – Organizar uma bela festa de casamento ou dar entrada no primeiro imóvel representam o símbolo de uma vida completa para muitas pessoas – mas, em tempos difíceis no mercado de trabalho, alguns decidiram que essa não era a melhor decisão. É o caso do casal Aline Costa e Thiago Ferreira, que adiaram esses sonhos em troca de um amor empreendedor: os salgadinhos veganos.

Investindo as economias juntadas vendendo as iguarias em seus cursos universitários, os empreendedores montaram a primeira fábrica da Paixão Vegan. A aposta em eventos e parcerias com grandes marcas foi fundamental para que o negócio saltasse de um faturamento médio mensal de 2 mil reais para 55 mil reais – uma arrecadação anualizada de 660 mil reais.

Da faculdade aos acordos com grandes

Em 2013, Costa e Ferreira se tornaram veganos. Deparando-se com a falta de opções de alimentos que não explorem animais no Rio de Janeiro, os namorados começaram a preparar as próprias refeições e oferecer também a amigos e familiares.

Com a aprovação dos mais próximos, passaram a vender salgadinhos e doces veganos para os colegas universitários no ano de 2015 – Costa comercializava na faculdade de História, enquanto Ferreira oferecia os quitutes no curso superior de Física. Ambos conciliavam estudos, estágio e produção dos alimentos veganos. O objetivo do trabalho extra era juntar dinheiro para uma festa de casamento e a entrada no primeiro imóvel dos namorados.

Em poucos meses, as vendas universitárias se expandiram para um festival vegano no Rio. Eles abriram a primeira barraca do seu negócio, chamado Paixão Vegan. “Foi lá que tivemos a comprovação do sucesso do negócio. Vendemos tudo antes de a feira acabar.”

Coxinha de jaca da Paixão Vegan (Paixão Vegan/Divulgação)

 

Na época, Costa e Ferreira faturavam cerca de dois mil reais por mês. A produção era amadora – eles só cozinhavam de noite e nos fins de semana, interrompendo o comércio na semana de provas. Eles começaram a participar de mais feiras e a formarem contatos com o público e com empresas maiores, interessadas em seus alimentos veganos.

O crescimento levou a um ultimato: usar os recursos que haviam conquistado para o casamento e o imóvel ou para levar o empreendimento adiante? No fim, o casal decidiu usar os 35 mil reais juntados para o maquinário e o aluguel de um espaço nos fundos do hortifruti do pai de Costa, de 20 m².

“Foi nesse momento que vimos a empresa com mais seriedade. Colocamos uma quantidade significativa de dinheiro e queríamos fazer dar certo”, conta a empreendedora. Eles fizeram cursos de gestão de negócios e foram atrás de uma consultoria no Solace Institute em 2017, para precificação, técnicas de captação de clientes e estruturação logística. “Tudo que havia acontecido antes eram oportunidades que apareceram. Agora, criamos essas oportunidades.”

Após a consultoria, a Paixão Vegan focou menos na participação em eventos e mais na parceria com empresas de peso na alimentação para veganos, como Hareburger, Grão da Terra e Mundo Verde. A expansão acompanhou uma nova fábrica neste ano em Vicente de Carvalho, bairro da zona norte do Rio, com 50 m². A marca acabou de lançar novos alimentos, como coxinha de jaca sem glúten assada e pão de batata com tofu e azeitonas.

Hoje, a Paixão Vegan vende 20 a 30 mil salgados por mës, como coxinha de jaca, kibe com tofupiry e enroladinho de salsicha vegetal. Além da ajuda dos pais de Costa em atendimento e logística, a empresa conta com cinco funcionários. Em 2018, o faturamento do negócio se estabilizou em 55 mil reais.

A meta para o ano é chegar em dezembro com um faturamento de 100 mil reais. No segundo semestre deste ano, a Paixão Vegan espera se expandir para São Paulo, estado com grande público vegano. Os próximos destinos são Curitiba e a região Nordeste, junto com outra grande meta: finalmente realizar a tão sonhada festa de casamento.

 

 

 Enroladinho de salsicha vegetal da Paixão Vegan (Paixão Vegan/Divulgação)

O mercado vegano

Os números do mercado vegetariano estão bem mais claros do que os do mercado vegano: segundo o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (IBOBE), havia 16 milhões de vegetarianos no Brasil em 2012, ou 8% da população. Para 2018, a previsão é que a porcentagem cresça para 14%. Enquanto isso, Fabio Stumpf, mestre em gestão estratégica e diretor na Solace Institute, estima que o país tenha 5 milhões de veganos e cerca de mil estabelecimentos veganos e vegetarianos.

Stumpf afirma que um negócio vegano é mais do que um empreendimento: é a experiência de um estilo de vida próprio. “Uma forma de se diferenciar é oferecer produtos e serviços que unem excelência e segurança alimentar com aromas e sabores, sem abrir mão do respeito e da responsabilidade relativas ao ‘vegan lifestyle’.”

É um mercado que vivenciou uma explosão de negócios nos últimos anos e, ainda que haja espaço, ele está cada vez mais disputado. “Vocë tem que sempre focar na qualidade dos seus produtos e, principalmente, na construção de parcerias”, aconselha Costa. Esses conselhos filosóficos e práticos são essenciais para o sucesso de empreendimentos que lidam com causas sociais, como a própria Paixão Vegan.

fonte:https://revistapegn.globo.com/Banco-de-ideias/Alimentacao/noticia/2018/07/namorados-faturam-r-55-mil-por-mes-com-comida-vegana.html

 

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